Caso Ronaldinho Gaúcho: manchas que marcam as marcas pessoais ficam para sempre




O inquestionável talento que o levou a ser duas vezes considerado o melhor jogador de futebol do mundo, o sorriso largo, o jeito de moleque/malandro e o questionável jeito de tonto que alguns que o cercam insistem em rotular poderiam ser as características mais marcantes da marca pessoal do quase quarentão Ronaldinho Gaúcho.



No caldo fervente que o ídolo do futebol mundial se envolveu desde a semana passada tem outro ingrediente forte: a passionalidade que envolve o futebol. É como se a marca deixada por Ronaldinho fosse além da suspeita de crime à qual ele é alvo de investigação, preso em uma penitenciária no Paraguai. Uma aura que blinda os ídolos de qualquer tipo de deslize pessoal ou profissional, apesar de tratar-se da investigação de um crime.


Olhando para o passado, Maradona não deixou de ser o ídolo Maradona por ter se envolvido com drogas. Pelé teve o filho preso por envolvimento também com drogas e não deixou de ser a estrela que é.


A questão que ponho em reflexão é: este episódio deve manchar a marca de Ronaldinho Gaúcho? Se a prisão deixar manchas em reputação isso afetará convites para palestras, eventos, participações no Brasil e no mundo? Ronaldinho vai quebrar sem essas oportunidades de ganhar dinheiro e de negócios?


São perguntas cujas respostas ainda são probabilidades. A marca está manchada, marcada por uma prisão preventiva e processo que envolve o uso de passaportes falsos no Paraguai. É grave, por mais que digam que ele foi envolvido por negociatas do irmão e empresário, Roberto. A mancha anterior, por crime ambiental em Porto Alegre, que envolveu a suspensão dos passaportes brasileiros, foi resolvida mas não apagada da história.


Enquanto isso, o ídolo segue ídolo para quem tem paixão pelo futebol. Viu-se crianças pedindo autógrafos dentro da cadeia, policiais fazendo selfie com ele na prisão. Ronaldinho é rei lá fora, convidado e requisitado para participar de eventos que vão de beneficentes a festivais de inovação, como o Websummit, em Portugal. Foi nomeado embaixador do Turismo pelo governo brasileiro.


Marcas pessoais, seja a pessoa conhecida ou desconhecida da opinião pública, são constantemente observadas e julgadas. Comportamento e postura rotulam e colocam as pessoas em categorias. Uma mancha na reputação é para sempre. Entretanto, as marcas acentuam ou minimizam de acordo com o modo como a pessoa trata o fato. Se com resposta rápida, transparência, justificativa, pode sim minimizar, mas nunca apagar.

E isso vale para todo mundo.


É inegável que a história da vida de Ronaldinho Gaúcho é feita de vitórias, sucesso, confusão e manchas. A pergunta que fica é: com a posição que ele tem, com o dinheiro que tem, com a história que construiu, precisava disso?






Luciane Bemfica é jornalista, especialista em desenvolvimento, posicionamento e gestão de marcas pessoais humanizadas.

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