Sua carreira ainda conversa com o que você quer construir?
- Luciane Bemfica

- há 3 dias
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Pesquisa revela que 80% dos executivos brasileiros pensam em mudar de emprego. E não é por dinheiro
Uma pesquisa recente com 136 executivos brasileiros, a maioria em cargos de gestão, de gerentes a CEOs, trouxe um número que parece assustador à primeira vista: 8 em cada 10 líderes estão, de alguma forma, considerando mudar de emprego. Quatro em cada dez já decidiram que vão trocar de trabalho ainda em 2026. Os outros quatro ainda estão no campo da reflexão, mas admitem que topariam uma conversa se aparecesse o projeto certo.
O levantamento foi conduzido pela consultoria de recrutamento executivo Plongê e chama atenção não pelo volume alto, mas não incomum entre lideranças bem-posicionadas e sim pelo motivo. Segundo a sócia-fundadora da consultoria, o dado não indica uma onda de demissões, mas algo mais sutil: vínculos profissionais mais permeáveis. As pessoas estão perguntando, com mais frequência, se o lugar onde estão ainda conversa com aquilo que desejam construir.
Reparem no que não lidera a lista de motivos. Não é salário. No topo aparecem busca por desafios maiores, crescimento profissional, mudança de contexto (setor, porte, área) e insegurança com o futuro do negócio. Dinheiro entra, mas em terceiro lugar, ao lado de reconhecimento, e não à frente dele.
Isso muda a pergunta que qualquer profissional em transição deveria estar se fazendo. Não é mais "quanto vou ganhar a mais". É: o que essa próxima etapa diz sobre quem eu decidi ser?
A pandemia não ficou no passado — ela mudou o critério de decisão
Um dos pontos mais interessantes do estudo é a leitura de que esse movimento tem raiz em um aprendizado coletivo que a pandemia deixou: um olhar mais atento para propósito, coerência e escolhas de vida. A especialista descreve como um deslocamento, ainda tímido, mas cada vez mais presente, de "o que o mundo espera de mim?" para "o que eu quero construir no mundo?".
Esse deslocamento é, na prática, uma crise de posicionamento em massa. Milhares de profissionais qualificados carregando cargos, salários e crachás que já não contam a história que eles querem contar sobre si mesmos.
E aqui mora o alerta para quem lidera equipes: a pesquisa também revela que as empresas erram na retenção quando acreditam que remuneração, cargo ou marca reconhecida bastam para manter alguém. O que sustenta um vínculo profissional hoje é a percepção contínua de aprendizado, espaço para contribuir e um horizonte visível não apenas o contracheque.
Mudar de carreira sem se perder: o papel da narrativa pessoal
Toda transição profissional carrega um risco silencioso: o de sair de um lugar sem saber, com clareza, para onde se está indo e comunicar essa mudança de forma que pareça instabilidade, e não intenção.
É aqui que a comunicação deixa de ser um detalhe e vira estratégia.
Antes de atualizar o LinkedIn, reescrever o currículo ou aceitar a primeira conversa com um recrutador, três perguntas merecem resposta honesta:
Qual é o fio condutor da minha trajetória até aqui? Toda mudança de carreira precisa de uma narrativa que conecte o passado ao próximo passo. Sem essa costura, a transição parece ruptura, não evolução.
O que eu quero que as pessoas pensem quando ouvirem meu nome daqui a dois anos? Reputação se constrói antes da vaga, não durante a entrevista.
Minha comunicação atual reflete quem eu estou me tornando, ou ainda descreve quem eu já fui? É comum profissionais em transição manterem uma marca pessoal "presa" ao cargo anterior, o que gera ruído justamente no momento em que mais precisam de clareza.
Profissionais que atravessam uma mudança de carreira com mais segurança geralmente têm algo em comum: pararam para investigar a própria trajetória com o mesmo rigor que aplicariam a qualquer outra decisão estratégica, antes de comunicá-la ao mercado.
O risco de comunicar a mudança errado
Setenta e dois por cento dos entrevistados na pesquisa ocupam cargos de gestão. São pessoas com histórico, rede e reputação construída, o que significa que qualquer movimento de carreira que fizerem será observado, comentado e interpretado por quem os cerca, quer eles narrem essa mudança ou não.
Quando não há uma narrativa clara sendo comunicada pelo próprio profissional, o mercado cria uma por conta própria. E raramente é a versão mais generosa.
Isso vale tanto para quem está decidido a sair quanto para os "indecisos", aquela metade dos 80% que ainda está refletindo. Mesmo sem uma mudança formal no horizonte, a forma como esses profissionais se posicionam hoje já está sendo lida como um sinal sobre o amanhã.
O que fica
Os números da pesquisa confirmam algo que já era perceptível em qualquer conversa recente com lideranças: o critério de permanência mudou. Estabilidade, cargo e salário deixaram de ser suficientes sozinhos. O que mantém ou não um profissional em um lugar é a sensação de que aquele ambiente ainda tem espaço para o que ele quer se tornar.
Para quem está pensando em migrar de emprego, de setor ou de carreira, o desafio real não é encontrar a próxima vaga. É garantir que a forma como você se apresenta ao mercado já reflita a versão de profissional que você está construindo antes mesmo de qualquer entrevista acontecer.
Se você se identifica com esta situação atual, envia uma mensagem para saber sobre como a minha consultoria pode te ajudar nesse processo de transição.
Fonte da pesquisa citada: Plongê, consultoria de recrutamento executivo, em levantamento com 136 profissionais antecipado ao jornal Valor Econômico (2026).





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