Por que você ainda se importa com o que os outros vão dizer?

Atualizado: Ago 5


Fazer diferente significa fazer a vidraça brilhar. Assim como atrai mais olhares e a atenção, pode ser um convite a receber uma bela pedrada. E aí mora o medo de ousar, de arriscar ser diferente. Decidir tomar um caminho diferente daquele em que a maioria das pessoas está acostumada a andar requer uma boa dose de autossuficiência, de coragem, uma pitada gorda de segurança e o risco calculado de ser amado e rejeitado.


É por isso que muita gente bloqueia a criatividade e fala com a voz dos outros. Querem ser vistos, reconhecidos, valorizados, mas receiam aparecer. O medo do que os outros vão pensar é comum, muito comum. E paralisa, atrasa, chateia e emburrece.


Quem assume a própria personalidade, o jeito todo seu de comunicar, certamente será notado. E ao ser evidenciado, passa a ser reconhecido como alguém diferente, quiçá influente, ou cancelado, na linguagem atualizada.


Nem todos estão preparados para o julgamento. Mas talvez não tenham percebido que já são julgados o tempo todo. E por tudo o que fazem. Você já ouviu falar em "ecossistema das marcas pessoais"? Vem a ser tudo o que diz respeito a nós: tipo físico, tom de voz, jeito de andar, falar, comer, de tomar decisões. Também as nossas escolhas. Onde moramos, como decoramos a nossa casa, o carro que temos, nossas habilidades, nossos defeitos, e tudo o que comunicamos.


Tudo isso ficou muito mais evidente desde que usamos as redes sociais. Nosso alcance ficou infinito. Gente que não nos conhece pode nos julgar por uma foto, uma legenda, pelo jeito como nos declaramos no perfil. Tudo está passível de julgamento e aí cria-se um conceito sobre quem somos.


Pessoas que tiveram contato com a prática do autoconhecimento por meio de exercícios e testes para reconhecer a si e saber como os outros nos percebem, tendem a perder o medo do julgamento alheio. Ao termos consciência sobre quem somos, quais são nossos talentos, habilidades, defeitos e dificuldades, consequentemente nos tornamos mais seguros para fazermos nossas escolhas.


A autodescoberta nos permite lidar melhor com a nossa imagem porque o nível de aceitação aumenta. Não somos perfeitos e a mania de perfeição é muito, mas muito chata. É querer parecer ser o que não é. É uma vida sem alma. Emitir uma opinião baseada na vivência, conhecimento e experiências é falar a nossa verdade. E a nossa verdade é incontestável, desde que seja clara. A partir do momento em que as pessoas percebem que têm as suas verdades, tornam-se fortalecidas, empoderadas.


O medo do que os outros vão pensar é um fantasma que assombra quem vive na escuridão de não olhar-se no espelho, de não escutar a própria voz, de não mergulhar em si.


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Luciane Bemfica é jornalista, especialista em desenvolvimento e gestão de marcas pessoais humanizadas.



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