Preço inbox: privar o público da informação sobre o valor do produto pode ser um tiro no pé



Quem me acompanha sabe que tenho uma tese a respeito do uso das redes sociais como canal de venda de produtos. As redes, sobretudo o Instagram, é a grande vitrine das marcas. Defendo que preço é informação essencial para quem vende e para quem compra. Muitos não informam os preços nas postagens porque têm receio de afastar o público.

Agora, eu pergunto: será que o público que você teme a fuga é quem você quer que compre o seu produto? Você conhece a sua audiência? Esse tipo de medo é característico de quem não tem um correto posicionamento de marca.

O mais comum é o potencial cliente interessado no produto postado perguntar o preço, e a pessoa que está gerenciando o Instagram da marca responder: "valores inbox". Imagino que o raciocínio seja dificultar a operação de venda e não facilitar a vida do cliente. Só pode.

Se o produto é bom, se tem valor agregado, se tem conceito, se é bonito, se é útil, por que não publicar quanto custa? Precificar não espanta comprador. Tenho ouvido muitas críticas sobre esse tema, por isso acho válida a discussão. Conheço empreendedores que vendem apenas pelo Instagram, que não têm site de venda dos produtos. A divulgação do produto é por foto, com email ou número de WhatsApp para mais informações (preço e valor do frete, por exemplo) na descrição da postagem.


Agora trago um exemplo concreto de que informar preço funciona. A joalheira Danielle Louise, em pleno processo de branding, resolveu arriscar. Ela trabalha há dez anos no mercado de joias e semijoias, utiliza as redes sociais como vitrine dos seus produtos, mas nunca havia feito uma ação com a divulgação dos preços. E foi além. Optou por fazer um preço único para cada um dos diferentes produtos: pulseiras, correntes, anéis e brincos. A ideia era movimentar fluxo de caixa e esvaziar estoques.

A estratégia foi tão positiva, que Danielle não apenas esvaziou as bandejas, como precisou repor o estoque. A lição desta ação precificada só deu certo porque o público percebeu valor naquele produto e o próprio poder de compra.

Informação é parte do processo de venda e, na minha opinião, mais aproxima do que afasta a audiência.


E você, como avalia a questão do "preço inbox"?

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Luciane Bemfica é jornalista, especialista em gestão e posicionamento para marcas pessoais. Atende profissionais autônomos, corporativos e empreendedores por meio de projetos de consultoria personalizada, direcionada às necessidades de posicionamento da marca.

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